É verdade que, desde 2009 quando começou o PMCMV, o déficit habitacional vem aumentando. Para começar a entender esse aumento, é preciso avaliar como se comportaram os componentes desse valor agregado.pic.twitter.com/HB1Kikv02V
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É verdade que, desde 2009 quando começou o PMCMV, o déficit habitacional vem aumentando. Para começar a entender esse aumento, é preciso avaliar como se comportaram os componentes desse valor agregado.pic.twitter.com/HB1Kikv02V
o déficit habitacional é composto por i) habitações precárias, ii) coabitação, iii) ônus por aluguel excessivo, e iv) adensamento excessivo de domicílios alugados. “Ônus por aluguel excessivo” diz respeito às famílias que destinam mais de 30% da sua renda a aluguel.
Foi essa categoria a principal responsável pelo aumento do déficit agregado dos últimos anos. “Ônus” salta de pouco mais de 30% em 2009 para quase 50% do déficit em 2015. )s demais componentes sofreram redução no período, com destaque para a queda expressiva da “coabitação”.pic.twitter.com/xMKONiZKcw
A queda foi na mesma magnitude da oferta de unidade do PMCMV? Acredito que não, mas certamente superior a conta de 600 mil unidades.
Outra falácia na coluna do economista é que não existe avaliação do PMCMV. Diversas áreas do conhecimento fizeram avaliações do PMCMV, desde a qualidade da construção, passando pela inserção urbana e seus efeitos perversos até o impacto eleitoral.
Há inclusive livros inteiros dedicados ao PMCMV. Se o Gov Federal não avalia o programa, a academia o faz - o que inclusive tem suas vantagens. Indico a seção 2.4 da minha pesquisa de mestrado para algumas referências. http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/handle/10438/27253 …
Minha pesquisa de mestrado foi dedicada a entender os impactos do PMCMV na cidade do Rio de Janeiro, olhando acessibilidade e resultados do mercado de trabalho formal.
Nessa cidade, 700 mil pessoas chegaram a se inscrever para o programa, que selecionou os/as beneficiários/as de forma aleatória – sonho de qualquer economista para fazer uma avaliação de impacto! Vou destacar aqui quatro dos principais achados da minha pesquisa:
1. O PMCMV foi pioneiro em incluir famílias de baixa renda até então marginalizadas dos programas habitacionais, desde a Fundação Casa Popular até programas desenvolvidos pelo BNH.
2. 1.Repetindo erro de programas anteriores, o PMCMV levou as pessoas para localizações que proporcionam acesso a menos oportunidades de trabalho formal do que elas enfrentavam antes do programa e do que as pessoas que não foram sorteadas enfrentam.pic.twitter.com/d7YywluBOv
3.A porcentagem de pessoas que aceitam a unidade habitacional após serem sorteadas é baixa-em alguns sorteios 10%.Ou seja, apesar do sorteio, há um forte viés de seleção para se tornar beneficiário/a e por conta da localização o programa atinge apenas as famílias mais vulneráveis
4. Há uma deterioração mais forte da empregabilidade entre sorteados do que não sorteados nós três primeiros anos após a mudança para o conjunto habitacional, mas tal tendência se reverte depois disso. De alguma maneira as pessoas se adaptaram aquela pior localização.pic.twitter.com/At91HF37d4
As implicações do último ponto para a vida dessas pessoas e para a cidade podem ser perversas. Estudo do @DaMataDan mostra que beneficiários do PMCMV possuem maior chance de comprar uma motocicleta. Se a adaptação foi nessa direção, temos uma situação bastante perversa.
Estudo do Carlos Alberto Doria mostrou que o PMCMV na verdade aumenta a empregabilidade entre as famílias mais vulneráveis (beneficiárias do Bolsa). http://www.econ.puc-rio.br/uploads/adm/trabalhos/files/1713274_2019_Completo.pdf …
Ou seja, o impacto do programa pode ser heterogêneo para diferentes classes sociais (isso porque estamos falando apenas da cidade do RJ - como os impactos variam em diversas cidades/regiões?). É difícil afirmar que o PMCMV é inteiramente bom ou ruim
Para fechar, num momento em que o Gov Federal discute um programa habitacional em substituição ao PMCMV, é preciso que os trabalhos que avaliaram o PMCMV sejam discutidos, e não escondidos como se não existissem.
A comunidade acadêmica deve se unir para apontar o que deu certo e o que deu errado no PMCMV, auxiliando o Gov Federal nas discussões sobre um novo programa, e não fazer "avaliações" superficiais.
A coluna do Samuel Pessôa na @folha
traz uma "avaliação" rasa do Programa Minha Casa minha Vida e demonstra profundo desconhecimento da composição do déficit habitacional.
Segue o fio.pic.twitter.com/EMxBw2Lqw8
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