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microcontos

  1. No túmulo do bígamo, as duas viúvas perguntavam-se quem seria aquela desconhecida que aparecera no enterro.
  2. O torturador não conseguia dormir com os gritos e gemidos de suas vítimas, dubladas pelos pernilongos invisíveis que habitavam sua noite.
  3. Era um sósia tão perfeito de si mesmo que nem sua mulher percebia quando cometia adultério com ele.
  4. Pela última vez, escreveu seu nome na orla da praia e ficou vendo as ondas o apagarem para sempre.
  5. O tradutor deixou todos felizes. Mas se soubesse traduzir ambos os idiomas, o mundo teria visto nascer mais uma guerra.
  6. Seu funeral teve tantos discursos que o morto conseguiu ser ainda mais enfadonho do que fora em vida.
  7. Ela se prostituía sempre na mesma esquina. Naquela noite só um dos seus sapatos estava lá.
  8. Romeu achava defesa garantida ter um revólver carregado em casa. Mas não pôde defender seus filhos quando pegaram a arma para brincar.
  9. O número de loucos é infinito. A demência é universal. Eu mesmo não sou muito normal.
  10. O gato escondeu-se, o marido conseguiu escapar e os filhos não sofreram muito. Desta vez, sua TPM nem tinha sido das piores.
  11. O suicida era tão meticuloso que teve que refazer diversas vezes o nó da corda para se enforcar.
  12. Frei Adroaldo trabalha na Santa Inquisição. Arranca unhas com toda a piedade e usa o ferro em brasa com muita devoção.
  13. Quando o cego tocou pela primeira vez a intimidade de uma mulher, sentiu como se a Pedra de Roseta fosse em braille, pedindo ser decifrada.
  14. Ele era inocente, mas só quando subornou o juiz é que foi absolvido no processo por corrupção.
  15. Supremo requinte da crueldade, ela lambia os dedos depois de comer chocolate, saboreando o súbito silêncio dos colegas no escritório.
  16. Desde a contratação do novo salva-vidas, aquele rapagão forte, os casos atendimentos de socorro na praia tinham aumentado imensamente.
  17. Grana, l'argent, bufunfa, money, dinheiro... Na hora de discutir seu quinhão, todos se entendiam em Babel.
  18. Foi a Paris e subiu na Torre Eiffel para realizar uma velha fantasia, jogar dali um aviãozinho de papel.
  19. Era ele quem escrevia todos os dias o editorial. Não acreditava em nada mas, redator competente, dizia o que queria o dono do jornal.
  20. As árvores passavam céleres pela janela do trem mas seu olhar nada via, parado onde embarcara.